Eu não sigo apenas o que já está traçado, Descubro passagens enquanto avanço; O que parecia limite fechado Se revela no próprio balanço.
Onde a mata parecia cerrada, A vida encontra espaço para a luz; No terreno que parecia pedra Surgem frestas que o tempo conduz.
Há momentos em que o solo pede ousadia, Em que a água contorna e redesenha o chão; Em que a semente rompe o dia Sem saber o tamanho da expansão.
O mundo muda quando alguém decide Dar o primeiro passo além do conhecido; Quando a corrente altera o que divide.
E o novo começa a ser vivido.
Florestas se renovam em silêncio, Rios encontram leitos improváveis;
Ventos cruzam territórios imensos Levando futuros possíveis.
O que hoje parece desconhecido Amanhã se torna caminho firme;
O que nasce como gesto contido Ganha forma, cresce e se afirma.
Nada permanece imóvel na vida, Tudo pulsa, tudo se refaz; É no fluxo que surge a saída, É no avanço que o sentido se refaz.
Eu sigo porque a vida pede sequência, Cada passo abre espaço ao porvir; O que se constrói com consistência Amplia o horizonte de existir.
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Diante desse percurso, o Instituto iniciou, em abril de 2025, um processo de planejamento estratégico que conduziu à revisão de suas bases programáticas de atuação. A partir desse momento, o Beja passou a atuar com base em três Eixos Programáticos: Infraestrutura, Democracia e Justiça Racial, que começaram a orientar as atividades da organização.
A mudança foi motivada, principalmente, pelo desejo por uma atuação mais estratégica nas escolhas ao longo do ano de 2025, adotando uma abordagem sistêmica no processo de seleção das organizações apoiadas, na qual o alinhamento ao tema passa a ser central na definição dos apoios.
“Aprendemos que, ao concentrar energia demais no ‘como’ fazer, acabamos fragilizando o ‘o quê’
fazemos. Isso acabou reduzindo a clareza para o ecossistema e para nossos parceiros. A partir dessa reflexão, revisitamos nossa forma de atuar – mantendo, porém, intacta a missão do Beja de expandir e abrir novas fronteiras para a filantropia.”
Maria Vogt – Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Compreender como a atuação do Instituto Beja esteve estruturada em 2025 demanda uma retomada da história recente da instituição.
Em 2024, uma nova teoria de mudança passou a vigorar e estruturar as atividades do Instituto, que elegeu, como seu propósito central, promover o impacto positivo no campo da filantropia a partir de algumas estratégias – como o fomento à inovação, colaboração e engajamento da sociedade civil – combinadas com a atuação em temáticas específicas, de forma a contribuir para a transformação do campo e maximização de impactos.
Essa nova teoria de mudança previa a atuação estruturada em três pilares estratégicos: Advocacy, Conhecimento e Laboratórios.
Após um ano operando sob essa configuração, a equipe realizou uma revisão aprofundada do portfólio, dos caminhos adotados e dos apoios concedidos. Esse processo evidenciou que o objetivo de incidir no ecossistema da filantropia de forma intencional e estratégica não estava sendo alcançado na medida esperada.
A revisão também mostrou que, em determinados contextos, a adesão mais rígida aos pilares acabava se sobrepondo ao propósito institucional, contribuindo para uma dispersão de recursos e energia. A partir dessa reflexão, tornou-se possível reconhecer a necessidade de ajustar a estratégia, buscando maior coerência entre missão, forma de atuação e impacto desejado.
Diante desse percurso, o Instituto iniciou, em abril de 2025, um processo de planejamento estratégico que conduziu à revisão de suas bases programáticas de atuação. A partir desse momento, o Beja passou a atuar com base em três Eixos Programáticos: Infraestrutura, Democracia e Justiça Racial, que começaram a orientar as atividades da organização.
A mudança foi motivada, principalmente, pelo desejo por uma atuação mais estratégica nas escolhas ao longo do ano de 2025, adotando uma abordagem sistêmica no processo de seleção das organizações apoiadas, na qual o alinhamento ao tema passa a ser central na definição dos apoios.
“O vento mudou em 2025 no Instituto Beja. Foi feita uma análise de dados de como estava o portfólio e trouxemos uma visualização dos múltiplos temas para os quais o Beja estava apontando a partir de uma lógica de Advocacy e de Conhecimento. Eram dezenas de temas, o que significava uma pulverização do investimento, que, em última análise, gerava muita dificuldade em contar uma história de transformação ou de impacto se seguíssemos por esse caminho. Em 2025, temos um vento novo, no qual trazemos mais foco e uma nova visão que ajuda a estruturar as escolhas programáticas e, consequentemente, os investimentos financeiros.”
Graciela Selaimen – Fundadora e Diretora-executiva do Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Mesmo diante dessas transformações, o DNA de advocacy do Beja permanece, juntamente com o fortalecimento do conhecimento e o desenvolvimento de narrativas, agora enquanto estratégias de atuação, ou seja, o “como” fazer, que reflete objetivos de médio e longo prazos e que atua
dentro das temáticas prioritárias. Além disso, os laboratórios continuam tendo como objetivo a experimentação conjunta, voltada ao desenvolvimento e ao apoio a projetos filantrópicos multissetoriais, mas passam também a ser orientados por temáticas (veja mais na página 56).
Os Eixos Programáticos de Infraestrutura, Democracia e Justiça Racial que passaram a balizar a atuação do Instituto Beja já apareciam como temáticas prioritárias quando a organização estruturava-se a partir dos pilares estratégicos.
A escolha por essas agendas dialoga tanto com a missão do Instituto de influenciar positivamente a infraestrutura da filantropia brasileira, como com o contexto vigente do país e do mundo.
Atualmente múltiplos desafios ameaçam a garantia do Estado Democrático de Direito em diferentes países, diante do avanço de movimentos antidemocráticos e autoritários, bem como da dificuldade de promover os avanços necessários nas agendas de equidade e justiça racial, em um contexto no qual discriminações raciais e o racismo ainda fazem parte do cotidiano da população negra.
“Essa escolha é muito em função de uma resposta intencional à conjuntura do país e global, além do fato de que há uma interseccionalidade entre eles. Para avançar, a filantropia brasileira precisa necessariamente aprender e ter coragem para abraçar esses que são temas sub-representados. Entendemos que essa escolha também é uma forma de criar uma nova estrutura de filantropia no Brasil e de incidir
muito pragmaticamente e intencionalmente, até num constrangimento de outras filantropias que ainda não fazem esse trabalho. E nessa missão de oxigenar a filantropia, não tem como você dizer que é importante investir em justiça racial e em democracia sem fazer isso no seu próprio portfólio. O Beja fala que é importante e faz.”
Graciela Selaimen – Fundadora e Diretora-executiva do
Instituto Toriba, Consultora e Membro do Comitê Executivo
do Instituto Beja
Essa redefinição de caminhos expressa uma característica estruturante do Instituto e de sua equipe: a abertura e disponibilidade para rever estratégias, buscar novos rumos e reconhecer a repactuação como etapa essencial de sua atuação filantrópica. O Beja não se baseia em estruturas fixas, mas realiza análises de contexto e conta com um grau de abertura, fluidez e flexibilidade para fazer mudanças de rota quando necessário.
“O Beja nasce de uma forma mais leve e solta, sem uma rigidez muito grande, o que denota uma capacidade de mudar na velocidade que os tempos atuais demandam. A filantropia que responde mal a esse momento é aquela que é muito rígida e lenta para poder dar respostas para as urgências que se colocam. E essa é uma das razões pelas quais escolhemos atuar com Democracia e Justiça Racial. Esses são os grandes desafios que a sociedade mundial vive, que demandam justamente essa capacidade de se mover rapidamente. Em Democracia, as agendas mudam semestralmente. Em Justiça Racial, a gente vem patinando há muito tempo, sem resultados concretos. Trata-se de uma demanda histórica no Brasil, para a qual a filantropia é estratégica, dada sua capacidade de fortalecer agendas estruturantes.”
Marcio Black – Diretor de Programas e Membro do Comitê
Executivo do Instituto Beja
“Democracia e Justiça Racial são temas caros para o Beja, porque sem um, não temos o outro. Almejamos uma filantropia democrática baseada na equidade.”
Maria Vogt – Diretora de Parcerias Estratégicas e Inovação
e Membro do Comitê Executivo do Instituto Beja
Ao optar por construir um portfólio de parceiros a partir de critérios fundamentados na atuação deles com os três Eixos Programáticos escolhidos, o Instituto Beja ressalta o quanto essas causas não são isoladas, mas vetores estruturantes de transformação social, se cruzando e se retroalimentando. Com isso, a organização constrói uma rede que se articula como um ecossistema de transformação e não como uma soma de projetos isolados, segmentados e hierarquizados.
Influenciar positivamente o campo da filantropia brasileira a partir de uma atuação intencional em sua infraestrutura, promovendo melhorias e formas inovadoras e criativas de funcionamento, constitui a missão do Instituto Beja. Ao escolher a própria infraestrutura da filantropia como tema de incidência, o Beja firma um compromisso de contribuir para um aprimoramento das práticas e para uma transformação estrutural do campo, com o objetivo de que, ao longo prazo, a filantropia brasileira possa ser mais diversa e reconhecida globalmente por sua capacidade de inovação e de seu comprometimento com a justiça social e a democracia.
Ao optar por construir um portfólio de parceiros a partir de critérios fundamentados na atuação deles com os três Eixos Programáticos escolhidos, o Instituto Beja ressalta o quanto essas causas não são isoladas, mas vetores estruturantes de transformação social, se cruzando e se retroalimentando. Com isso, a organização constrói uma rede que se articula como um ecossistema de transformação e não como uma soma de projetos isolados, segmentados e hierarquizados.
Para alcançar esses objetivos, o Beja prioriza investimentos e apoios à ações que tenham potencial de continuidade e impacto estrutural no campo da filantropia e da justiça social, que incentivem a cooperação intersetorial e dialoguem com outras iniciativas relevantes no campo da filantropia e que considerem as diversidades étnica, racial, de gênero e social como pilares fundamentais para a transformação social. O uso transversal de algumas estratégias, como advocacy, produção de conhecimento e fortalecimento narrativo, garante coesão interna e reforço mútuo entre as ações. Dessa forma, o Instituto Beja, além de financiador, atua também como um articulador de um campo que precisa mudar.
Para alcançar esse contexto de filantropia, é preciso:
• Estratégias consolidadas que permitam a ampliação do volume de recursos investidos, garantam transparência e fomentem a cooperação entre filantropos, setor público e privado, organizações e movimentos sociais;
• Criação de espaços seguros de experimentação e teste de novos modelos de investimento filantrópico envolvendo múltiplos atores;
• Oferta de conhecimento e práticas que não estão no repertório atual da filantropia brasileira;
• Inclusão, em espaços tradicionais da filantropia brasileira, de atores filantrópicos sub-representados.
das organizações sociais brasileiras apontam a sustentabilidade financeira como uma das questões mais urgentes e o principal desafio a ser superado.
Recursos próprios direcionados por empresas mantenedoras são a principal fonte de financiamento do investimento social, representando
seguidos dos fundos patrimoniais (endowment) próprios das organizações, representando
dos investidores sociais realizam algum tipo de apoio especificamente às organizações da sociedade civil (OSCs). As empresas lideram nesse indicador,
com 92% declarando apoio às OSCs, seguidas das organizações do tipo Familiares (86%), Empresariais (83%) e, por fim, Independentes, das quais 78% prestaram algum tipo de apoio.
do financiamento para as organizações é concedido sem restrições, ou seja, não precisam ser destinados a projetos específicos, entendidos como essenciais para
desenvolvimento institucional, adaptabilidade e continuidade das ações.
das organizações não governamentais (ONGs) relatam ter dificuldade em recrutar as pessoas certas, reter funcionários e gerenciar seu bem-estar.
Os recentes ataques às instituições democráticas evidenciaram a gravidade das ameaças ao Estado Democrático de Direito no Brasil. Para o Instituto Beja, mais do que uma estrutura institucional ou política, a democracia é um espaço vivo, plural e inclusivo, no qual as diferenças não apenas coexistem, mas são fundamentais.
O Instituto acredita que a filantropia deve contribuir não apenas com recursos financeiros, mas também possibilitando e poten-cializando o espaço cívico enquanto terreno onde os encontros acontecem, acomodando a diversidade de vozes, interesses e perspectivas e permitindo a expressão aberta, segura e potente das demandas e direitos de indivíduos e comunidades, principalmente daquelas tradicionalmente excluídas.
da população mundial vive hoje sob regimes autoritários, um patamar semelhante ao de 1985. O ano de 2025 é apontado como um ponto de inflexão, com ataques sistemáticos às instituições democráticas, ao multilateralismo e às normas
internacionais de direitos humanos.
da população brasileira têm as redes sociais como principal fonte de informação sobre política, só perdendo para o noticiário de TV (32,2%). Em 2018, redes sociais foram a fonte escolhida por 10,9%.
da população brasileira prefere a democracia a qualquer outra forma de governo e 81% concordam que, embora possa ter problemas, ainda assim é o melhor regime político.
Queda geral:
4 pontos no índice de confiança.
85 pontos
Corpo de Bombeiros
67 pontos
Igrejas
66 pontos
Escolas Públicas
37 pontos
Congresso
32 pontos
Instituições políticas, como partidos
dos brasileiros se dizem insatisfeitos ou muito insatisfeitos com o funcionamento da democracia hoje no país, enquanto outros 38% se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos.
Para alcançar esse contexto de filantropia, é preciso:
• Estratégias consolidadas que permitam a ampliação do volume de recursos investidos, garantam transparência e fomentem a cooperação entre filantropos, setor público e privado, organizações e movimentos sociais;
• Criação de espaços seguros de experimentação e teste de novos modelos de investimento filantrópico envolvendo múltiplos atores;
• Oferta de conhecimento e práticas que não estão no repertório atual da filantropia brasileira;
• Inclusão, em espaços tradicionais da filantropia brasileira, de atores filantrópicos sub-representados.
Influenciar positivamente o campo da filantropia brasileira a partir de uma atuação intencional em sua infraestrutura, promovendo melhorias e formas inovadoras e criativas de funcionamento, constitui a missão do Instituto Beja. Ao escolher a própria infraestrutura da filantropia como tema de incidência, o Beja firma um compromisso de contribuir para um aprimoramento das práticas e para uma transformação estrutural do campo, com o objetivo de que, ao longo prazo, a filantropia brasileira possa ser mais diversa e reconhecida globalmente por sua capacidade de inovação e de seu comprometimento com a justiça social e a democracia.
Ao optar por construir um portfólio de parceiros a partir de critérios fundamentados na atuação deles com os três Eixos Programáticos escolhidos, o Instituto Beja ressalta o quanto essas causas não são isoladas, mas vetores estruturantes de transformação social, se cruzando e se retroalimentando. Com isso, a organização constrói uma rede que se articula como um ecossistema de transformação e não como uma soma de projetos isolados, segmentados e hierarquizados.
Para alcançar esses objetivos, o Beja prioriza investimentos e apoios à ações que tenham potencial de continuidade e impacto estrutural no campo da filantropia e da justiça social, que incentivem a cooperação intersetorial e dialoguem com outras iniciativas relevantes no campo da filantropia e que considerem as diversidades étnica, racial, de gênero e social como pilares fundamentais para a transformação social. O uso transversal de algumas estratégias, como advocacy, produção de conhecimento e fortalecimento narrativo, garante coesão interna e reforço mútuo entre as ações. Dessa forma, o Instituto Beja, além de financiador, atua também como um articulador de um campo que precisa mudar.
Para alcançar esse contexto de filantropia, é preciso:
• Estratégias consolidadas que permitam a ampliação do volume de recursos investidos, garantam transparência e fomentem a cooperação entre filantropos, setor público e privado, organizações e movimentos sociais;
• Criação de espaços seguros de experimentação e teste de novos modelos de investimento filantrópico envolvendo múltiplos atores;
• Oferta de conhecimento e práticas que não estão no repertório atual da filantropia brasileira;
• Inclusão, em espaços tradicionais da filantropia brasileira, de atores filantrópicos sub-representados.
das organizações sociais brasileiras apontam a sustentabilidade financeira como uma das questões mais urgentes e o principal desafio a ser superado.
Recursos próprios direcionados por empresas mantenedoras são a principal fonte de financiamento do investimento social, representando
seguidos dos fundos patrimoniais (endowment) próprios das organizações, representando
dos investidores sociais realizam algum tipo de apoio especificamente às organizações da sociedade civil (OSCs). As empresas lideram nesse indicador,
com 92% declarando apoio às OSCs, seguidas das organizações do tipo Familiares (86%), Empresariais (83%) e, por fim, Independentes, das quais 78% prestaram algum tipo de apoio.
do financiamento para as organizações é concedido sem restrições, ou seja, não precisam ser destinados a projetos específicos, entendidos como essenciais para
desenvolvimento institucional, adaptabilidade e continuidade das ações.
das organizações não governamentais (ONGs) relatam ter dificuldade em recrutar as pessoas certas, reter funcionários e gerenciar seu bem-estar.